terça-feira, 15 de novembro de 2011

INCLUSÃO E ESCOLA INCLUSIVA

O que é inclusão?
É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.


O que faz uma escola ser inclusiva?
Em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão. Diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados.   Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições.                                        
E isso vale para os estudantes com deficiência ou não. 

(Trecho da entrevista com Maria Teresa Égler Mantoan a Revista Nova Escola – Meire Cavalcante- Edição182  / Maio – 2005)  

No ano seguinte a essa entrevista, Felipe chegou no Colégio Estadual Ramiro Braga. Veio fazer parte de minha turma de alfabetização e, sendo menino cego, ensinou-me a enxergar as suas e as minhas possibilidades. Sua coragem e determinação foram preponderantes no sucesso do processo pelo qual passamos todos nós da comunidade escolar. Uma experiência de inclusão vivida por nossos alunos do curso de formação de professores, que adoravam estagiar em nossa sala de aula. Dia desses, encontrei uma aluna no ônibus, que não sabia que eu havia sido a professora que o alfabetizara. Fiquei feliz com a empolgação dela falando como ele é, como age frente às situações de aprendizagem. Pude ver o brilho em seus olhos de futura professora e multiplicadora da experiência de incluir. Hoje, Felipe cursa o sexto ano do Ensino Fundamental da mesma escola, sempre participante e com muito bom aproveitamento. Cada professor vai lidando com a experiência de tê-lo em sua turma, de acordo com sua maneira de ver a deficiência e suas concepções de inclusão, mas todos reconhecem a capacidade, a competência e a determinação que lhe são características. A composição da turma inicial foi mudando a cada ano, permitindo a todos, que chegam ou que vão, conhecer um vocabulário próprio de alguns materiais de um aluno cego, como ele os utiliza e, principalmente, saber que a deficiência não o incapacita, apenas exige algumas mudanças na forma de apropriação do conhecimento.

Lembro-me bem dos alunos, pequenos ainda, querendo utilizar a reglete e a tela de desenho do colega Felipe. Justamente naquela fase inicial em que o aluno ainda vivia o luto da perda da visão, surgia a oportunidade dele "dar aulas" de braille para os coleguinhas e, em troca, "receber aulas" de escrita a tinta. A tela, em dados momentos era trocada com algum colega, que se realizava fazendo o desenho como ele. Era a vez de algum coleguinha ajudá-lo a desenhar o que queria, segurando em sua mão. Momentos de ser criança, de compartilhar, de trocar, de aprender.
Hoje, muito do que aprendi com Felipe, utilizo na Sala de Recursos com Lorrana, procurando promover a inclusão de mais uma criança cega. Ela está conhecendo o Sistema Dosvox e aprendendo a utilizar algumas de suas opções. Procuro caminhar com ela pela escola, não somente pela questão da mobilidade, mas procurando estimular conversas e brincadeiras com outras crianças, independente de idade. Ela adora abraçar e beijar as coleguinhas. E eu adoro vê-la interagindo, sendo feliz.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LEITURA IMPERDÍVEL

Compartilho aqui a postagem de meu sobrinho Wagner, no Facebook:

colunas.epoca.globo.com
Vale a pena conferir!



domingo, 23 de outubro de 2011

VÍDEO DE 2007 QUE NÃO ME CANSO DE ASSISTIR E COMPARTILHAR

ESCOLAS ONDE ATUO


A descoberta e o movimento


COLÉGIO ESTADUAL RAMIRO BRAGA

Aqui, nesta escola quase centenária, quinze dos meus vinte e cinco anos de exercício no magistério estadual do Rio de Janeiro foram passados, com muita dedicação profissional e pessoal. Anos de sala de aula, uma infinidade de alunos e a descoberta de uma vocação inclusiva para a qual não havia atentado até então. Alunos singulares, todos com suas necessidades, todos especiais, como os demais que já haviam passado e os que ainda haveriam de passar por mim, em outras escolas. Mas foi exatamente aqui que as crianças com necessidades especiais foram chegando e as portas de minha sala, assim como as de meu coração, foram se abrindo, fazendo descortinar um mundo novo de desafios e de descobertas. Vieram e trouxeram consigo a grandiosa experiência de viver a inclusão, esbarrando na descrença de uns, no preconceito de outros, contando com a colaboração de alguns e com a força interior que nos move. Tempo de pesquisas, de aproveitar cada oportunidade de capacitação oferecida, de retomada aos estudos e de colocar em prática a teoria estudada, sem jamais deixar de ouvir as coisas que ditavam o coração. Tempo de descobrir-se feliz, com as conquistas de cada aluno e com a felicidade de cada família. Aqui, verdadeiramente, começou o exercício de amar e incluir... incluir e amar!

O novo lado da história

As Salas de Recursos Multifuncionais nas escolas municipais de Bom Jardim estão sendo implementadas, contemplando cada um dos distritos, procurando abarcar as crianças que fazem parte do chamado público-alvo. Somos quatro professoras, todas habilitadas para a função de AEE, além das formações específicas de cada uma. Compartilho o espaço de duas dessas salas com uma das colegas de AEE, duas psicólogas e uma fonoaudióloga. Contamos com uma coordenadora e nos reunimos mensalmente na Secretaria Municipal de Educação. Vale ressaltar o apoio que recebemos de colegas e da direção de cada escola.



E. M. GOVERNADOR MOREIRA FRANCO

Na Escola Municipal Governador Moreira Franco, ocupamos uma sala cedida e utilizamos o mobiliário que nela já se encontrava. O prédio ainda não foi adaptado às normas de acessibilidade, mas estão previstas obras com a construção de rampas e banheiros que garantam o acesso de todos, conforme estabelecido pela legislação. Os trabalhos na SRM nesta escola foram iniciados com o ano letivo vigente e já podemos sentir os resultados, apesar do pouco material pedagógico recebido, de nossos computadores ainda não terem sido instalados, além das questões de espaço físico já citadas. Todas as manhãs de segundas e sextas tenho encontro marcado com alunos que demonstram prazer em estar ali, que me estimulam a prosseguir, acreditando na inclusão. 



E. MZ. CÉSAR MONTEIRO, NO DIA DA ENTREGA DO NOVO PRÉDIO, EM AGOSTO DE 2011.

Na Escola Municipalizada César Monteiro, temos uma pequena sala, em um prédio recém-inaugurado. Apesar do tamanho, que comporta apenas uma mesa, duas cadeiras e uma estante adaptada, nosso espaço é aconchegante (dito por todos que nos visitam e atestado por mim).  Dispomos de pouco material pedagógico, mas outros já foram comprados com a verba destinada para tal; não contamos com computadores e a escola permanece sem Internet. As condições desfavoráveis, no entanto, não diminuem a qualidade do trabalho desenvolvido, iniciado no segundo semestre do presente ano, ocasião da entrega do novo prédio acessível, de bonita arquitetura e um terreno amplo que nos permite ir além das paredes de nossa sala. Todas as manhãs de terças, quartas e quintas, lá estou eu, para meu encontro com outros alunos que gostam de estar ali, naquele espaço convidativo de descobertas e alegrias.

A continuação

Logo estarei postando novidades a respeito desse exercício de amar e incluir...incluir e amar. Por enquanto, ficam aqui os registros do pioneirismo das Salas de Recursos Multifuncionais e do Atendimento Educacional Especializado nas escolas municipais de Bom Jardim, e do orgulho que sinto em fazer parte desta história.

Atualizado em 15. 11. 2011